Discord recebe prazo judicial de dez dias para apresentar nova proposta de proteção ao governo
A Justiça Federal estabeleceu um prazo de dez dias úteis para que a plataforma Discord apresente propostas de adequação e segurança exigidas pelo governo federal.
R42 / RESUMO
A Justiça Federal determinou que o Discord apresente em até dez dias úteis uma nova proposta de conciliação contendo medidas de proteção a usuários, em resposta a uma ação civil pública movida pelo governo federal após graves falhas de segurança na moderação de conteúdos.
PONTOS-CHAVE
- Prazo estabelecido pela Justiça Federal é de 10 dias úteis para o Discord.
- Governo federal terá 20 dias úteis para analisar a proposta após a entrega.
- Ação inclui cobrança de R$ 500 milhões por danos morais coletivos.
- Ferramenta de transmissão ao vivo 'Go Live' continua suspensa preventivamente.
A Justiça Federal fixou um prazo de dez dias úteis para que a plataforma Discord apresente uma nova proposta voltada ao atendimento das demandas do governo federal referentes à proteção de usuários. A decisão foi formalizada após uma audiência de conciliação realizada na 14ª Vara Federal Cível da Justiça Federal do Distrito Federal, reunindo representantes da empresa e órgãos estatais.
O caso ganhou repercussão institucional e jurídica após a morte de uma menina de 13 anos em Naviraí (MS), ocorrida em 22 de julho. De acordo com investigações da Polícia Civil e do Ministério da Justiça, a adolescente foi induzida a cometer suicídio durante uma transmissão ao vivo na plataforma. A apuração policial também identificou o uso do Discord e do Telegram para o recrutamento de vítimas, disseminação de discursos de ódio e incentivo a comportamentos violentos.
Durante a audiência, constatou-se que a própria empresa admitiu ao Ministério Justiça a ocorrência de uma falha em seu sistema de segurança. A transmissão em questão teve início às 2h20, mas o primeiro alerta sobre risco iminente de morte ou lesão corporal grave só foi emitido às 3h50, com a remoção do servidor ocorrendo apenas às 4h15. Em paralelo, a Agência Nacional de Proteção de Dados apontou evidências robustas de que a plataforma falhou na adoção de medidas razoáveis para mitigar a exposição de menores a conteúdos de violência, automutilação e suicídio, destacando ainda limitações técnicas de acesso ao conteúdo das comunicações.
Diante desse cenário e do ajuizamento de uma ação civil pública pela Advocacia-Geral da União — que cobra indenização de R$ 500 milhões por danos morais coletivos —, o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho conduziu a mesa de conciliação. O entendimento parcial alcançado prevê que o Discord detalhe inovações operacionais. Entre as frentes discutidas estão a criação de um protocolo para notificar autoridades sobre casos de sextorsão, o aprimoramento de mecanismos de detecção e moderação de conteúdos sobre maus-tratos e crueldade contra animais, além da preservação de dados para investigações e a garantia de um fluxo permanente de comunicação com órgãos brasileiros.
A União terá um prazo de vinte dias úteis para analisar o conteúdo assim que a proposta for formalmente protocolada pela empresa. Vale destacar que, embora exista um esforço de conciliação em andamento, as transmissões ao vivo associadas à ferramenta 'Go Live' do aplicativo permanecem suspensas em caráter preventivo por determinação decorrente da fiscalização paralela conduzida pela ANPD. Para que o recurso seja restabelecido, a companhia precisará comprovar a eficácia dos novos protocolos de segurança implementados no serviço.
Discussões mais amplas sobre regulamentação e o impacto de novas ferramentas tecnológicas no cotidiano dos usuários continuam a moldar o cenário regulatório atual, tema explorado em análises aprofundadas como o estudo sobre o avanço de modelos de inteligência artificial e protocolos de segurança.
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Gabriel Silva
Responsável pela apuração e redação desta matéria na Rota42.
R42 / FAQ
Qual é o prazo dado pela Justiça ao Discord?
A Justiça Federal estabeleceu o prazo de 10 dias úteis para que a plataforma apresente uma nova proposta de conciliação.
O que motivou a ação do governo contra a plataforma?
A investigação sobre a morte de uma adolescente em Naviraí (MS), induzida ao suicídio em uma transmissão ao vivo, além de falhas na segurança e moderação de conteúdos.