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R42 / Cultura digital / 00204

Noruega propõe proibição temporária de óculos inteligentes em locais públicos

Projeto pretende limitar gravações discretas em espaços sensíveis enquanto um grupo de especialistas prepara regras permanentes para tecnologias vestíveis.

06.10.26 Gabriel Silva 3 MIN
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R42 / RESUMO

A Noruega pretende propor uma proibição temporária do uso de óculos inteligentes em locais como parques, praias, escolas, hospitais e academias. A medida ainda não está em vigor, não impediria a venda dos dispositivos e deverá prever exceções enquanto especialistas elaboram uma regulamentação permanente.

PONTOS-CHAVE

  1. 01A proposta ainda será enviada ao Parlamento e não está em vigor.
  2. 02Parques, praias, escolas, hospitais e locais com vestiários estão entre os ambientes avaliados.
  3. 03O governo não pretende proibir a venda nem todo uso privado dos dispositivos.
  4. 04Um grupo de especialistas recomendará regras permanentes e possíveis exceções.

O governo da Noruega anunciou que pretende enviar ao Parlamento uma proposta de proibição temporária do uso de óculos inteligentes em determinados locais públicos. A medida ainda não está em vigor e seu texto final não foi apresentado. O objetivo declarado é criar uma proteção provisória contra fotografias, vídeos e gravações de áudio feitos sem o conhecimento das pessoas enquanto o país prepara uma regulamentação permanente para tecnologias vestíveis.

O Ministério da Digitalização e Administração Pública informou em 5 de outubro que o projeto será tratado como prioridade e encaminhado ao Storting, o Parlamento norueguês, assim que possível. O governo também formará um grupo de especialistas para avaliar quais dispositivos devem ser abrangidos, quais exceções são necessárias e como uma regra nacional definitiva pode equilibrar privacidade e usos legítimos.

Onde a restrição poderá valer

A lista preliminar é ampla, mas não representa uma decisão final. O governo cita parques, praias, museus, centros comerciais, parques de diversões e eventos esportivos, musicais e culturais. Espaços frequentados por crianças, como escolas, creches, playgrounds e clubes recreativos, também poderão ser incluídos. A avaliação alcançará ainda universidades e outras instituições de ensino.

Outro grupo reúne ambientes nos quais a expectativa de privacidade é maior: hospitais, consultórios, piscinas e academias com vestiários ou chuveiros. A lógica é reduzir situações em que uma pessoa pode ser filmada ou ouvida sem perceber que há uma câmera ou um microfone voltado para ela.

A proposta não prevê proibir a venda dos óculos nem impedir todo uso privado. O comunicado admite exceções para grupos vulneráveis e aplicações de interesse social. Também permanece em aberto se a regra abrangerá apenas modelos que combinam câmera, microfone e recursos computacionais avançados ou um conjunto maior de dispositivos vestíveis capazes de registrar o ambiente.

O problema vai além da luz de gravação

Smartphones também permitem gravações discretas, mas óculos mudam a relação entre quem registra e quem aparece no enquadramento. A câmera acompanha naturalmente a direção do olhar, pode permanecer pronta por longos períodos e não exige que o usuário levante um aparelho. Isso torna mais difícil para terceiros reconhecerem quando a gravação começou, qual área está sendo capturada e se o material está sendo transmitido.

A iniciativa norueguesa segue restrições já adotadas em contextos específicos. Escolas de Oslo proibiram os dispositivos em agosto. Tribunais da Inglaterra e do País de Gales restringem seu uso, assim como o sistema judicial do estado de Nova York. A Austrália também analisa regras para ambientes do serviço público federal. Esses exemplos não formam uma proibição internacional uniforme: cada autoridade está usando competências diferentes para responder a riscos semelhantes.

Editorialmente, a proposta testa uma abordagem baseada no contexto. Em vez de classificar o produto como sempre aceitável ou sempre proibido, ela considera que o mesmo dispositivo pode funcionar como ferramenta de acessibilidade em uma situação e como meio de vigilância discreta em outra. A eficácia dependerá de definições claras, fiscalização viável e exceções que não transformem uma proteção provisória em obstáculo indiscriminado. Até o Parlamento aprovar uma lei, porém, o anúncio deve ser entendido como uma intenção formal do governo, não como uma proibição já aplicada em todo o país.

Texto de

Gabriel Silva

Responsável pela apuração e redação desta matéria na Rota42.

R42 / FAQ

A Noruega já proibiu óculos inteligentes?

Não em todo o país. O governo anunciou que apresentará ao Parlamento uma proposta de proibição temporária em locais selecionados. Escolas de Oslo já adotaram uma restrição própria.

Em quais locais a proibição poderá valer?

O governo avalia parques, praias, museus, centros comerciais, eventos, escolas, creches, hospitais, consultórios, piscinas e academias com vestiários ou chuveiros. A lista final ainda depende do projeto de lei.

A proposta proibirá a venda de óculos inteligentes?

Não. O plano divulgado trata do uso em ambientes específicos, não da comercialização dos dispositivos.

Haverá exceções?

O governo prevê estudar exceções para grupos vulneráveis e usos socialmente úteis. Os critérios ainda serão definidos.

Por que os óculos são tratados de forma diferente dos celulares?

Óculos com câmera e microfone podem registrar continuamente a direção do olhar sem o gesto visível de apontar um celular, dificultando que terceiros percebam quando estão sendo gravados.

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