Operação contra golpes leva a 28 prisões e remove 3,7 milhões de contas
Ação reuniu autoridades de dez países e 15 empresas, resgatou 117 vítimas de tráfico em Gana e identificou mais de US$ 11 milhões potencialmente bloqueáveis.
R42 / RESUMO
Uma operação internacional contra centros de golpes na África Ocidental levou a 28 prisões, ao resgate de 117 vítimas de tráfico e à remoção de 3,7 milhões de contas, páginas e grupos pela Meta. O total de contas não corresponde ao número de criminosos, e US$ 11 milhões foram apenas identificados como potencialmente bloqueáveis.
PONTOS-CHAVE
- Autoridades prenderam 19 suspeitos em Gana e nove na Nigéria, com 356 dispositivos eletrônicos apreendidos.
- A Meta informou ter removido mais de 3,7 milhões de contas, páginas e grupos do Facebook e Instagram.
- Em Gana, 117 vítimas de tráfico foram resgatadas e aguardavam repatriação para a Nigéria.
- Mais de US$ 11 milhões foram identificados como potencialmente bloqueáveis, mas não estavam integralmente apreendidos.
Uma operação internacional contra redes de golpes digitais na África Ocidental levou à prisão de 28 suspeitos e à remoção de mais de 3,7 milhões de contas, páginas e grupos do Facebook e do Instagram. Os resultados da chamada Joint Disruption Week foram anunciados em 13 de outubro de 2026 pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, pela National Crime Agency do Reino Unido e pela Meta.
A ação reuniu autoridades de dez países e representantes de 15 empresas em Londres entre 6 e 9 de outubro, além de incorporar operações realizadas anteriormente em Gana. Foi a primeira mobilização coordenada desse tipo dedicada especificamente a centros de golpes na África Ocidental, segundo os organizadores.
O número de 3,7 milhões corresponde a contas, páginas e grupos que a Meta afirma ter removido de suas plataformas. Ele não representa 3,7 milhões de criminosos identificados, vítimas ou condenações. Uma mesma pessoa ou organização pode controlar diversos perfis, e o comunicado não detalha quantos operadores únicos estavam por trás do conjunto.
Prisões, resgate e equipamentos apreendidos
Em Gana, autoridades prenderam 19 pessoas na região de Sasaabi, perto de Acra, e apreenderam 303 dispositivos eletrônicos. Outras nove prisões e 53 apreensões de equipamentos ocorreram na Nigéria. Os detidos são suspeitos vinculados às operações investigadas e ainda enfrentam processos; as prisões não equivalem a condenações.
As autoridades também afirmam ter resgatado 117 nigerianos mantidos contra a vontade em um complexo residencial em Gana e forçados a trabalhar em golpes. Segundo o Departamento de Justiça, eles aguardavam repatriação para a Nigéria. A operação ganesa ainda identificou 89 vítimas de fraude, com perdas estimadas em US$ 8,3 milhões.
As empresas participantes localizaram ao menos US$ 11 milhões em ativos potencialmente bloqueáveis. A formulação é importante: o valor foi identificado para possível congelamento, mas não estava integralmente apreendido no momento do anúncio. A Coinbase também declarou ter reconhecido mais de 65 vítimas ainda ativas e evitado cerca de US$ 415 mil em perdas potenciais.
Plataformas e polícia cruzaram informações em tempo real
O encontro foi hospedado pela agência britânica NCA e envolveu autoridades dos Estados Unidos, Reino Unido, Gana, Nigéria, Austrália, Canadá, Índia e Nova Zelândia, além da Interpol. Meta, Google, Microsoft, Coinbase, Adobe, Binance, Chainalysis, Starlink e outras empresas compartilharam sinais sobre perfis, infraestrutura, transações e locais físicos.
Mais de 30 pistas sobre possíveis centros de golpes foram repassadas às autoridades. Os esquemas investigados incluíam falsos investimentos em criptomoedas, vagas de emprego inexistentes, romances fraudulentos, falsa recuperação de valores e perfis que se passavam por policiais, militares ou representantes governamentais. A maioria das contas removidas pela Meta aparentava mirar pessoas nos Estados Unidos e no Reino Unido.
O caso se conecta a um problema mais amplo de engenharia social. Um relatório recente da Microsoft sobre phishing por QR code mostrou como diferentes canais podem conduzir vítimas a páginas ou conversas controladas por criminosos, embora esse levantamento não faça parte da operação na África Ocidental.
Remover contas não encerra a rede
A dimensão digital foi ampla, mas a consequência mais relevante está na combinação de medidas. Derrubar perfis reduz o alcance imediato das campanhas; apreender dispositivos, localizar recursos financeiros, identificar responsáveis e retirar pessoas de situações de coerção atinge partes diferentes da mesma cadeia.
Essa conclusão é uma inferência editorial a partir dos resultados divulgados, não uma garantia de efeito permanente. A quantidade de contas removidas mede ações de plataforma, não a capacidade total das redes criminosas. O próprio caráter descentralizado atribuído aos grupos da África Ocidental indica que novos perfis e infraestruturas podem surgir. O impacto duradouro dependerá das investigações, dos processos judiciais, da recuperação de recursos e da proteção oferecida às vítimas resgatadas.
R42 / FONTES CONSULTADAS
Referências usadas para verificar fatos e contextualizar esta matéria.
-
NCA hosts international law enforcement and tech industry crackdown on fraud and scams
UK National Crime Agency
-
Meta assists with scam crackdown in West Africa
Social Media Today
Gabriel Silva
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R42 / FAQ
O que foi a Joint Disruption Week?
Foi uma operação coordenada por autoridades de dez países e 15 empresas para compartilhar informações e agir contra redes de golpes digitais na África Ocidental.
Foram presos 3,7 milhões de golpistas?
Não. O número se refere a contas, páginas e grupos removidos do Facebook e Instagram. A operação resultou em 28 prisões de suspeitos.
Quais golpes foram investigados?
As autoridades citaram falsos investimentos, vagas de emprego inexistentes, romances fraudulentos, extorsão por falsos agentes públicos e falsas promessas de recuperar dinheiro perdido.
O que aconteceu com as vítimas de tráfico?
Segundo as autoridades, 117 nigerianos foram resgatados de um complexo em Gana onde eram forçados a participar de golpes e aguardavam repatriação para a Nigéria.