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R42 / Cultura digital / 00154

Juiz pode barrar parte do acordo de US$ 400 milhões do TikTok sobre privacidade infantil

Magistrado quer mais detalhes antes de encerrar uma ordem de 2019; o pagamento adicional de US$ 100 milhões depende dessa decisão.

20.09.26 Gabriel Silva 3 MIN
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R42 / RESUMO

Um juiz federal dos Estados Unidos sinalizou que pode rejeitar a parte do acordo de US$ 400 milhões que encerraria uma ordem de privacidade imposta em 2019 à antecessora do TikTok. O impasse não equivale à rejeição de todo o acordo: US$ 300 milhões compõem o pagamento principal, enquanto outros US$ 100 milhões estão ligados ao fim da supervisão anterior.

PONTOS-CHAVE

  1. 01O acordo proposto prevê US$ 300 milhões de pagamento principal e mais US$ 100 milhões se a ordem de 2019 for encerrada.
  2. 02O juiz George H. Wu indicou que faltam detalhes para demonstrar que o novo arranjo oferece uma solução duradoura.
  3. 03A ordem de 2019 decorre do caso Musical.ly e mantém obrigações de relatório e registro até 2029.
  4. 04As acusações do governo continuam sendo alegações; o acordo não representa uma decisão judicial de responsabilidade.
  5. 05Uma audiência sobre o ponto contestado foi marcada para 21 de setembro.

O acordo de US$ 400 milhões proposto pelo TikTok e pela ByteDance para encerrar acusações de violações à privacidade infantil encontrou um obstáculo no tribunal. O juiz federal George H. Wu sinalizou que pode rejeitar a parte do arranjo que encerraria uma ordem de supervisão imposta em 2019 à Musical.ly, antecessora do TikTok. A posição ainda é provisória: uma audiência foi marcada para segunda-feira, 21 de setembro.

O ponto é mais específico do que uma rejeição completa do acordo. Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a proposta prevê um pagamento principal de US$ 300 milhões e outros US$ 100 milhões caso o tribunal concorde em extinguir a ordem anterior. Em manifestação citada pela Reuters, Wu disse que, sem mais detalhes, não consegue determinar se a mudança ofereceria uma solução duradoura nem se estaria adequadamente ajustada às circunstâncias atuais.

Por que a ordem de 2019 ainda importa

A supervisão nasceu de um caso da Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos, a FTC, contra a Musical.ly. Em 2019, a empresa concordou em pagar US$ 5,7 milhões para encerrar acusações de que sabia que crianças pequenas usavam o aplicativo e, mesmo assim, coletava nomes, endereços de e-mail e outras informações pessoais sem o consentimento dos pais. A ordem resultante incluiu obrigações de conformidade, relatórios e manutenção de registros com vigência até 2029.

O novo processo tem origem em uma ação apresentada pelo Departamento de Justiça em 2024. O governo acusou TikTok e ByteDance de coletar dados pessoais de crianças e de não proteger adequadamente usuários com menos de 13 anos, em possível violação da Children’s Online Privacy Protection Act, a COPPA. Essa lei exige consentimento parental antes da coleta de determinados dados de crianças menores de 13 anos.

É importante separar acusação de fato estabelecido. O próprio Departamento de Justiça afirma que as alegações do processo não equivalem a uma determinação de responsabilidade. O TikTok contestou anteriormente as conclusões da FTC e disse que os problemas apontados eram antigos e já haviam sido tratados. Em documentos relacionados ao acordo, a empresa também descreveu medidas como exigir a data de nascimento no cadastro e usar moderação baseada em idade para identificar usuários menores de 13 anos que informem uma idade falsa. Essas são declarações da empresa sobre seus controles, não uma validação independente de sua eficácia.

Dinheiro e supervisão cumprem funções diferentes

A estrutura condicional do acordo ajuda a explicar a cautela do juiz. Uma multa pune condutas alegadas e encerra parte do litígio; uma ordem de supervisão cria deveres que continuam depois do pagamento. Trocar obrigações que ainda durariam três anos por um pagamento adicional exige demonstrar que os controles atuais oferecem proteção comparável ou melhor.

O governo sustenta que houve mudanças relevantes na propriedade, na administração e nas práticas de conformidade e privacidade desde 2019. A preocupação indicada pelo tribunal é se essas mudanças foram descritas com precisão suficiente para justificar o fim antecipado da ordem. A audiência deverá concentrar-se nessa comparação, e não simplesmente no tamanho da cifra anunciada.

O caso também mostra como acordos de privacidade podem ter duas camadas: compensação financeira e fiscalização futura. Os US$ 400 milhões dominam a manchete, mas a questão com maior efeito de longo prazo é quem acompanhará o cumprimento das regras e sob quais obrigações até 2029. Até que o tribunal decida, o acordo deve ser tratado como proposto, e a possibilidade de rejeição como uma sinalização judicial, não como resultado definitivo.

Texto de

Gabriel Silva

Responsável pela apuração e redação desta matéria na Rota42.

R42 / FAQ

O acordo de US$ 400 milhões do TikTok já foi aprovado?

Não integralmente. O acordo foi anunciado pelo Departamento de Justiça, mas o juiz George H. Wu indicou que pode rejeitar a parte que encerraria a ordem de privacidade de 2019. Uma audiência sobre o tema foi marcada para 21 de setembro.

Qual parte do acordo está sendo questionada pelo juiz?

O ponto contestado é o pedido para encerrar a ordem judicial de 2019 aplicada à Musical.ly, antecessora do TikTok. O pagamento adicional de US$ 100 milhões está condicionado ao encerramento dessa ordem.

O que determinou o acordo de 2019 com a Musical.ly?

A empresa pagou US$ 5,7 milhões para encerrar acusações da FTC de coleta de dados de crianças sem consentimento parental. A ordem também estabeleceu obrigações de conformidade, relatórios e manutenção de registros que se estendem até 2029.

O TikTok admitiu violar a lei de privacidade infantil?

Não. O Departamento de Justiça informa que as acusações permanecem alegações e que não houve decisão judicial de responsabilidade. O TikTok também contestou anteriormente as conclusões da FTC sobre seu cumprimento das regras.

O que pode acontecer após a audiência?

O tribunal poderá aceitar a proposta, rejeitar o pedido de encerrar a ordem antiga ou exigir alterações. Essa é uma possibilidade processual, não uma decisão já tomada.

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