Ir para o conteúdo
R42 / Cultura digital / 00165

EUA pedem que plataformas americanas fiquem fora da nova lei digital australiana

Washington afirma que a proposta pode afetar a liberdade de expressão fora da Austrália; governo Albanese diz que a minuta devolve escolhas aos usuários.

23.09.26 Gabriel Silva 3 MIN
WhatsApp X Facebook LinkedIn Telegram E-mail

R42 / RESUMO

Os Estados Unidos pediram que plataformas americanas sejam excluídas da proposta australiana de dever de cuidado digital. A minuta obrigaria redes sociais a oferecer uma escolha entre recomendações personalizadas e um feed limitado às contas seguidas, além de impor medidas de proteção a menores. O texto ainda está em consulta e não foi aprovado pelo Parlamento.

PONTOS-CHAVE

  1. 01O pedido dos Estados Unidos foi apresentado formalmente durante a consulta pública australiana.
  2. 02A proposta exigiria que redes sociais oferecessem escolha entre feed personalizado e conteúdo de contas seguidas.
  3. 03Serviços digitais também teriam deveres de prevenção de riscos para usuários menores de 18 anos.
  4. 04A minuta ainda não foi apresentada nem aprovada pelo Parlamento australiano.
  5. 05As multas previstas podem chegar a 109,2 milhões de dólares australianos.

O governo dos Estados Unidos pediu formalmente que plataformas americanas sejam excluídas da proposta australiana de dever de cuidado digital. A manifestação, publicada em 22 de setembro durante a consulta sobre a minuta, argumenta que as novas obrigações podem alterar o alcance de conteúdos fora da Austrália e criar riscos à liberdade de expressão.

A intervenção atinge o núcleo do projeto apresentado pelo governo do primeiro-ministro Anthony Albanese em 8 de setembro. A iniciativa, chamada “My Feed, My Way”, pretende obrigar redes sociais a oferecer uma escolha clara sobre o feed padrão: recomendações personalizadas ou conteúdo restrito às contas e aos criadores que cada pessoa decidiu seguir.

Esse confronto não significa que uma proibição ou uma nova regra já esteja valendo. O documento australiano ainda é uma minuta em consulta e não foi aprovado pelo Parlamento. Do mesmo modo, a alegação de censura representa a posição do governo americano, não uma conclusão judicial ou um efeito confirmado da proposta.

O que Washington contesta

A resposta americana questiona como a Austrália definirá conceitos como “dano previsível” e risco, quem julgará esses casos e quais recursos estarão disponíveis para plataformas e usuários. Washington sustenta que exigências amplas podem incentivar empresas a remover ou reduzir a distribuição de material lícito para evitar penalidades.

O governo dos Estados Unidos também afirma que plataformas globais normalmente desenvolvem produtos em grande escala, e não como sistemas totalmente separados para cada país. Por isso, uma mudança obrigatória no desenho de feeds australianos poderia, segundo a manifestação, repercutir na experiência de usuários de outras jurisdições. Trata-se de uma projeção apresentada pelos Estados Unidos; a consulta não demonstra que esse efeito ocorrerá necessariamente.

Além da manifestação americana, a Business Software Alliance pediu ajustes diferentes. A associação recomendou excluir serviços prestados apenas entre empresas, limitar a responsabilidade a pessoas com controle cotidiano sobre o serviço e ampliar o período de transição. O conjunto de respostas mostra que a disputa envolve tanto moderação de conteúdo quanto escopo técnico e responsabilidade corporativa.

O que a Austrália propõe

A minuta exigiria que redes sociais notificassem usuários novos e atuais sobre a opção de feed. Pessoas com mais de 16 anos poderiam aceitar recomendações personalizadas ou escolher uma experiência baseada nas contas que seguem. A proposta também alcança jogos online, aplicativos, serviços de mensagens e chatbots nas obrigações destinadas a proteger menores de 18 anos contra recursos de design potencialmente nocivos e conteúdos específicos.

Entre os riscos enumerados pelo governo australiano estão pornografia, promoção de transtornos alimentares, hostilidade contra mulheres, glorificação de crimes ou desafios perigosos e material capaz de provocar sofrimento mental grave, como abuso e assédio. Plataformas teriam de documentar suas medidas e verificar se continuam eficazes.

A eSafety Commissioner ficaria responsável pela fiscalização. O governo afirma que o descumprimento poderia resultar em multas de até 109,2 milhões de dólares australianos. Também seriam ampliados mecanismos de remoção para aplicativos e sites que criam imagens íntimas falsas.

Uma disputa sobre produto, não apenas conteúdo

A resposta australiana é que a proposta pretende devolver escolhas aos usuários, e não controlar opiniões políticas. Essa diferença revela o ponto central do debate: a minuta regula tanto aquilo que circula quanto a maneira como plataformas organizam e recomendam esse conteúdo.

Se o texto mantiver a obrigação de escolha do feed, empresas terão de demonstrar que a alternativa não personalizada é real, fácil de encontrar e respeitada depois da seleção. Se plataformas americanas forem excluídas, por outro lado, a regra perderá alcance prático sobre grande parte do mercado de redes sociais. Ambas são consequências prováveis, mas ainda dependem da redação final e da votação parlamentar.

A controvérsia amplia uma agenda australiana já marcada por discussões sobre privacidade e desenho de produtos digitais, incluindo a avaliação de restrições a óculos inteligentes em prédios públicos. O novo projeto vai além de um dispositivo específico: ele testa até onde um país pode exigir mudanças no funcionamento de plataformas usadas globalmente.

Texto de

Gabriel Silva

Responsável pela apuração e redação desta matéria na Rota42.

R42 / FAQ

O que os Estados Unidos pediram à Austrália?

O governo americano pediu que plataformas dos Estados Unidos sejam excluídas das obrigações propostas e que a Austrália retire exigências consideradas capazes de suprimir conteúdo com base em critérios amplos de segurança.

A nova lei digital australiana já está em vigor?

Não. O texto é uma minuta submetida a consulta. O governo australiano pretende apresentar um projeto ao Parlamento ainda em 2026, onde ele poderá ser debatido e alterado.

O que mudaria nos feeds das redes sociais?

As plataformas teriam de oferecer a usuários com mais de 16 anos uma escolha clara entre recomendações personalizadas e um feed formado pelas contas e criadores que eles decidiram seguir.

A proposta se limita às redes sociais?

Não. O dever de cuidado alcançaria outros serviços digitais, incluindo jogos online, aplicativos, mensageiros e chatbots, especialmente nas obrigações de proteção a menores.

Qual seria a penalidade por descumprimento?

Segundo o governo australiano, o descumprimento do dever de cuidado poderia gerar multas de até 109,2 milhões de dólares australianos, sob fiscalização da eSafety Commissioner.

Continue lendo

Ver arquivo

Usamos armazenamento necessário para funcionamento e segurança. Com sua autorização, ativamos medição de audiência, personalização e recursos publicitários opcionais.

Necessários Sempre ativos para segurança, sessão, idioma, tema e registro da sua escolha. Analytics Permite medir audiência, navegação e desempenho para melhorar o conteúdo e a experiência. Personalização Permite adaptar conteúdo, preferências e experiências com base nas suas escolhas. Marketing Permite usar armazenamento publicitário, personalizar anúncios e realizar medição completa.

Instalar a Rota42

No iPhone ou iPad, abra a Rota42 no Safari e siga estes passos:

  1. Toque em Compartilhar no menu do Safari.
  2. Escolha “Adicionar à Tela de Início”.
  3. Ative “Abrir como App da Web” e toque em Adicionar.