União Europeia investiga Booking.com por anúncios falsos e golpes de phishing
Processo sob o DSA também examina dados de reservas e a identificação de posições pagas; abertura não representa condenação.
R42 / RESUMO
A Comissão Europeia abriu em 21 de outubro de 2026 um processo formal para avaliar se o Booking.com violou o DSA ao lidar com anúncios fraudulentos, phishing e resultados pagos. A investigação não é uma condenação e ainda não tem prazo final.
PONTOS-CHAVE
- O processo formal foi aberto em 21 de outubro de 2026 e não antecipa uma decisão de culpa.
- A Comissão examinará anúncios falsos, uso de dados de reservas em phishing e transparência de resultados promovidos.
- O Booking.com afirma que coopera e que segurança e proteção de dados são prioridades.
- Uma infração comprovada pode levar a multa de até 6% do faturamento anual mundial, mas nenhuma penalidade foi aplicada.
A Comissão Europeia abriu nesta quarta-feira, 21 de outubro de 2026, um processo formal para apurar se o Booking.com cumpriu as obrigações do Regulamento dos Serviços Digitais (DSA) ao lidar com anúncios fraudulentos, golpes de phishing e publicidade dentro dos resultados de busca. A medida é uma investigação, não uma conclusão de culpa: o órgão europeu afirma que avaliará possíveis infrações e ressalta que a abertura do procedimento não antecipa a decisão final.
O processo parte de uma análise preliminar que considerou avaliações de risco entregues pelo Booking.com em 2026 e nos três anos anteriores, relatórios de transparência e respostas da empresa a pedidos formais de informação. Segundo a Comissão, o exame aprofundado será tratado como prioridade, mas não há prazo legal fixo para encerrá-lo.
Três frentes sob investigação
A primeira frente trata de anúncios falsos ou irregulares. A Comissão quer saber se a plataforma identificou, avaliou e reduziu adequadamente riscos sistêmicos ligados a imóveis inexistentes, fraudes por falsidade ideológica e acomodações que não cumprem regras aplicáveis. A questão não se limita à remoção de um anúncio depois de uma denúncia: o DSA exige que plataformas de grande porte analisem como o desenho e a operação do serviço podem facilitar danos em escala.
A segunda frente concentra-se no phishing. Os reguladores examinarão riscos associados ao compartilhamento de dados de reservas e hóspedes com provedores de acomodação, além do funcionamento do sistema de mensagens do Booking.com. O ponto central é verificar se existem salvaguardas suficientes para impedir que dados e canais legítimos sejam explorados por criminosos que se passam por hotéis, pousadas ou pela própria plataforma para solicitar pagamentos.
A terceira frente envolve transparência publicitária. Provedores de hospedagem podem pagar comissões maiores para ganhar destaque nos resultados de busca. A Comissão investigará se esses resultados promovidos são apresentados de forma clara como anúncios e se o usuário consegue identificar quem está por trás da publicidade, quem pagou por ela e por que ela foi exibida.
O que muda para viajantes e para a plataforma
Para o viajante, a investigação aproxima três riscos que normalmente parecem separados: reservar uma propriedade inexistente, receber uma cobrança falsa vinculada a uma reserva real e interpretar uma posição paga como se fosse uma recomendação puramente baseada na busca. O valor do caso está justamente nessa leitura conjunta. A segurança de uma plataforma de viagens depende tanto da verificação dos anúncios quanto da proteção do fluxo de dados e da clareza de seus mecanismos comerciais.
O Booking.com declarou que coopera com a Comissão e que segurança, confiança e proteção de dados pessoais são prioridades. A empresa afirmou ainda que continuará trabalhando com governos, reguladores, autoridades policiais e parceiros do setor contra crimes cibernéticos e fraudes online. Essa é a posição da companhia; o processo agora deverá testar, com evidências, se as medidas adotadas atendem às exigências do DSA.
A Comissão pode solicitar novas informações, adotar medidas provisórias, aceitar compromissos propostos pela empresa ou, ao fim, emitir uma decisão de descumprimento. Se uma infração for comprovada, o DSA permite multas de até 6% do faturamento anual mundial. Esse teto não é uma penalidade já aplicada e não indica qual seria o valor de uma eventual sanção.
Por que o caso vai além do setor de viagens
Editorialmente, o processo mostra como a regulação europeia está passando da moderação de conteúdo visível para a arquitetura dos serviços digitais. O foco inclui como dados circulam entre plataforma e parceiros, como sistemas de mensagens podem ser abusados e como posições patrocinadas são explicadas ao público. Uma decisão contra o Booking.com poderia estabelecer referências práticas para outros marketplaces que combinam intermediação, dados pessoais, comunicação direta e publicidade.
Até a conclusão, permanecem confirmados apenas a abertura formal do processo, o escopo anunciado pela Comissão e a disposição pública do Booking.com de cooperar. Não há decisão de culpa, multa aplicada ou ordem para suspender o serviço.
R42 / FONTES CONSULTADAS
Referências usadas para verificar fatos e contextualizar esta matéria.
Gabriel Silva
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R42 / FAQ
O Booking.com já foi condenado pela União Europeia?
Não. A Comissão Europeia abriu um processo formal para investigar possíveis infrações ao DSA. A abertura não determina culpa e nenhuma multa foi aplicada.
Quais tipos de fraude estão no escopo da investigação?
O processo cobre anúncios de propriedades inexistentes ou irregulares, falsidade ideológica, phishing associado a dados e mensagens de reservas e pedidos fraudulentos de pagamento.
Por que os resultados promovidos também serão examinados?
Porque acomodações podem pagar comissões maiores para ganhar visibilidade. O DSA exige que o usuário reconheça claramente um anúncio e saiba quem o financiou e por que ele foi exibido.
Quando a investigação será concluída?
Não há prazo legal fixo. A Comissão disse que tratará o caso como prioridade e poderá pedir informações, aceitar compromissos ou adotar outras medidas durante o processo.